Tudo teve início durante uma visita à fazenda de uma amiga da família Raduan em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo .Eu retornava de uma viagem de férias a Bariloche e, após haver passado dias esquiando com as amigas Martha Raduan e Elizabeht Pedroso e Silva, resolvemos, ao voltar para o Brasil, prolongar nosso convívio em uma temporada no campo na fazenda Raduan. A rotina na fazenda era das mais agradáveis – respirávamos o ar puro pela manhã, quando percorríamos as redondezas a cavalo ou quando parávamos para tomar banhos de rio. À tardinha, costumávamos ir até a cidade, onde havia outra casa da família, reservada para pernoite dos hóspedes quando os eventos que por lá aconteciam.
Certo dia, fomos convidadas a participar de uma festa no Jockey Club local, na qual se encontrariam os representantes das famílias mais abastadas da região. Tratava-se de um acontecimento muito esperado à época. Todos comentavam e disputavam pelo direito de comparecer aos salões badalados. Foi nessa ocasião que conheci Clodovil. Eram tempos de juventude, em uma cidade relativamente pequena, onde todos se conheciam. Lá estavam, por exemplo, Clodovil Hernandes e Amaury Junior, dois rapazes começando a trilhar o caminho da fama. Amaury viria a tornar-se o colunista das celebridades; Clodovil já era, então, uma promessa no campo da alta costura. É curioso recordar, hoje, um namorico que aconteceu entre mim e Amaury naquela altura. Em um determinado dia, recebi, através das ondas da rádio da cidade, a mais linda declaração que me poderia ter sido feita. Amaury, sempre muito articulado, me deixou extremamente comovida.
Mas Clodovil... Naquele tempo, já apresentava o mesmo ar que o caracterizaria pela vida afora. Não passava despercebido e suas aparições sempre continham um ingrediente inusitado. Para nós, jovens pertencentes a um privilegiado setor da sociedade, a vida era uma festa permanente. Hoje percebo como foi interessante o fato de que, pouco antes da morte de Clodovil, alguns daqueles antigos amigos tenham tornado a se reunir,dentre eles Marco Raduan_ irmão da Martha_ ainda que apenas por conversas telefônicas poucos dias antes de Clodovil partir.
Transcorreu-se o tempo, da mesma forma como reparamos nas horas que esvaziam nosso relógio de areia. As férias terminaram e, passado esse inesquecível tempo repleto de festas, cada um de nós voltou para São Paulo, a dar continuidade às exigências diárias do cotidiano. Eu não esperava reencontrar Clodovil ou Amaury. No entanto, ainda que eu tenha revisto Amaury casualmente em alguns eventos – sem nunca me fazer reconhecer –, o destino havia traçado que a minha existência haveria de se cruzar com a de Clodovil por mais algumas vezes,sem saber,até seus últimos dias de vida. Tive oportunidade de vê-lo em algumas festas ocorridas em São Paulo, mas não esperava estabelecer uma aproximação maior com ele. Até que, certa vez, fui convidada, por um grupo de amigos comuns, para ir a uma festa inesquecível...
Qualquer hora continuo essa história
Qualquer hora continuo essa história

ME LEMBRO BEM....
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